O amor em suas variadas formas atrai de um jeito louco, pelo menos a mim. Um segundo de paixão que estoura os ouvidos, não se ouve mais nada, não se quer mais nada. Momento amigo, champanhe e música boa. Solidão, filme e pipoca. Irmão, papel e caneta. O coração infla, muda o formato, ganha cor e uma dor tão voraz que chega a ser gostosa. Já me apaixonei por olhos profundos e brilhantes, castanhos mesmo, normais em cor e diferente no modo como vai da esquerda para a direita. Já me apaixonei por teorias, dessas que você sente como se estivesse saindo de dentro, compatíveis demais com suas crenças e convicções. Enlouqueci, certa vez, por um abraço. Era cem por cento, encaixava de maneira ímpar, não ímpar um três cinco, ímpar com nada igual, singular mesmo. Não dá pra guardar um olhar, um abraço, um momento. Por isso é tão estranho, dá vontade de gritar. Não um grito desesperado, talvez uma canção. Aquela coisa que brota na garganta e que é quase necessário colocar pra fora pra se respirar direito, algo como um sentimento bom. Uma loucura, um ápice de felicidade, tão efêmero quanto um piscar de olhos. Eu quero tocar. Eu quero o toque da minha alegria. No meio do bar, dançando com a mente perdida, de olhos fechados. Quero pegar esse momento e jogar dentro da minha bolsa Prada. E quando eu chegar a casa, pego, apalpo, abraço. Beijo meu momento de distração, discreta simpatia, sorriso entre os dentes. Supimpa. Chuva, duas amigas e roupas molhadas. Noite escura, grama bem verdinha (lembrança de quando era dia) e felicidade emplacada. Corríamos sós em meio a quinhentos metros quadrado. Mas eram tantos, tão grandes, que pareciam hectares. Corríamos soltas, livres, estrelas, a água, caímos, rolamos, nós, tripé, alicerces. Amizade do berço, antiga, nova a cada dia. E por que não posso colocar na gaveta e tirar de lá sempre que for ler meu livro, antes de dormir? O amor de amante, tocante, quieto, aconchegante. Os olhos se olham, os pensamentos se cruzam, as mãos de tocam. Vez ou outra, vozes se encontram, conversam, se beijam, sintonia implacável, incomparável. Não há mais nada além disso. E isso é tudo o que interessa quando se tem alguém ao lado. E olha que injustiça! Em duas horas, vai embora o momento, que se perde quando a porta se fecha e você fica sozinha. Cadê a explosão de sensações que eu não sei nem nomear e digo, então, que deve ser amor? Porque dizem que amor é forte, que é tão forte que não se doma nem se segura. Por isso eu chamo a felicidade em momentos inusitados de amor. E nem precisa, só eu entendo. É o que eu intitulo amor, o aperto nos músculos, a vontade de esquecer de todos os problemas. Mas cadê tudo isso agora, quando estou em frente ao computador, tudo escuro ao meu redor, todos dormindo? Cadê? Eu quero guardar tudo comigo. Eu quero tudo de todos os que me fazem levitar. Qual o gosto de um sorriso? Qual o som de um abraço? Qual a textura de uma voz? Qual o cheiro de um beijo? Quero todos os sentidos de tudo o que me faz sentir.
ainda chove 14/09/2009
Quando venta muito e faz muito frio e as janelas ficam pipocadas de gotas, eu junto os papeis e rasgo para me manter quente. Eu pego blocos e blocos e anoto frases desconexas, i`m following, i`m following, i`m following you, coisas sobre visceras e poesia e redencão e reencontros – escritos inuteis. Junto nossos pedaços. Seguimo-nos de longe, observamo-nos de camarote, onde a visão é melhor pois o angulo é privilegiado e distante dos outros observadores.
un amour à l’intérieur de Paris 12/09/2009
Nada como beijar em Paris. Nada como o amor em Paris. Nada como andar de mão dada em Paris.
Ele, via SMS: onde nos vamos encontrar hoje?
Ela: não sei… hmmm… que tal sermos completamente cliché e encontrarmo-nos na Torre Eiffel?
Ele: okay por mim.
Ela: 19H30, pilar Este.
Ele: lá estarei.
Ao sairmos de um café Parisiense bastante conhecido, dirigimo-nos para uma boca de metro. Eu tinha de voltar para o hotel de metro e ele tinha decidido andar a pé. Ao descer as escadas que me dirigiam ao subterrâneo, ele pegou-me no braço e beijou-me. Acho que o tempo parou. Não me lembro se as pessoas continuavam a andar, falar, viver à minha/nossa volta. Acredito que tenha sido o melhor beijo que jamais recebi na vida. Que a cada toque e sorriso dele, ele transmitia-me algo de indubitavelmente mais forte. Que aquele beijo era bom demais para ser verdade e que já sabia, infelizmente, a saudade.
- Que se passa contigo?
- Vou beijar-te assim todos os dias que nos restarem até ir embora. Como se fosse o ultimo beijo que jamais te desse.
- Porquê?
- Porque talvez me fará sofrer menos quando fôr realmente o ultimo…
E foi o último…
Há coisas em Paris que me encantam. Por vezes são apenas pequenos detalhes, mas even though, são esses os detalhes que fazem toda a diferença: vi as árvores perto da Place de la Concorde.Acredito que tudo na vida seja uma questão de fases. E tanto quanto isto me encanta menos hoje, sei que dentro de semana é a vida real que me vai apetecer o menos viver.Dei-me conta, sentada num café frente a Notre-Dame de Paris, o quanto a vida vale realmente a pena. Mesmo quando sabemos que há coisas por acontecer que nos vão magoar, temos de afrontar a vida tal como ela é.
Por aqui, deste lado de Paris, continua-se a viver a vida. E aos poucos vou contando.
ê o virtual… 14/07/2009
Andei observando o que as pessoas colocam no Twitter, facebook, orkut. As pessoas nesses meios são felizes durante todo segundo, bem resolvidos durante todos os segundos, não tem mau humor, estão fazendo coisas legais e nem um pouco tediosas o tempo inteiro. Tudo bem que não queira falar dos problemas, é até uma forma de esquece-los, mas colocam que está tudo lindo, que as coisas que estão fazendo é super legal, que o fim de semana vai ser super divertido. Todo mundo tem um fim de semana tedioso, todo mundo tem mau humor e até na hora da escrita demonstram isso de uma forma ou de outra.
Será que fazem isso para mostrar para as pessoas, para fugirem dos próprios problemas ou dias de cão, as pessoas não reclamam e quando reclamam tentam posar de (pseudo)intelectuais, fazem debates políticos falando tudo o que realmente faz sentido e todos sabem, tentam ser polêmicos falando mal de tudo, criticando… esses são os piores. Virtuam muito as coisas, queria saber se no dia a dia são assim também.
Hoje meu dia esta de quando toca o telefone ´Eu sumi e ninguém sabe onde estou!´. É para falar isso,oras! Mas ninguém fala, apenas que não esta. Ai vão e telefonam pro celular, você não atende ou desliga, ai mandam um torpedo perguntando onde você está e quando retorna ainda brigam porque não atendeu. O tiwitter começou a ter a mesma função que a maioria usa o orkut, fuxicar a vida alheia, tem até ex seguindo o twitter. E realmente, odeio gente que bloqueia, coloca cadeado, está na chuva é para se molhar, se não quer que vejam a vida, não coloca a vida ali, coloca o básico, ou não coloca albúm.Pior são aqueles que bloqueiam o albúm e colocam o endereço do fotolog no perfil (????).
Sou uma viciada nisso tudo,adoro. Mas tudo tem seus lados negros que chegam a serem cômicos.
É só o amor 12/07/2009
Escrevi uma palestra sobre o poder do amor, nada de auto-ajuda ou coisa parecida. Vejo tanta gente nova dizendo que não acredita mais em amor, que vulgarizam o verbo amar, amar tem imensas maneiras. Como já dizia o Lulu Santos: “Consideramos justa toda forma de amor”. Amor pelo cachorro, pelo namorado (a), amor fraterno e por último e não menos importante o amor próprio!Sinceramente, eu não acredito que se possa amar alguém de verdade sem se amar primeiro, esse é o amor que mais conhecemos, que esta dentro de nós, vivenciamos ele a cada segundo. Como se pode dar algo a alguém se não damos a nós mesmos.
Uma vez me contaram uma história que dizia que um menino perguntou para a mãe o que era o amor. A mãe o levou até um tanque de areia e pediu que ele pegasse a areia com as mãos abertas, a areia escorreu e ele reclamou. Então a mãe pediu que ele pegasse com a mão toda fechada, novamente a areia escorreu. Enfim, ela disse a ele para pegar a areia em forma de concha, e ali a areia permaneceu. O amor é assim, não dura todo fechado e nem todo aberto, para tudo tem que ter o equilíbrio. Por isso vemos tantos amores ao vento.
O amor cura, é comprovado. Depressão,pânico, o amor alegra. Pelo amor de Deus, não estou falando de amor de homem e mulher apenas, de todos os tipos. Quando eu aprendi a amar, pelo menos a demonstrar o amor, consegui aos poucos sair de uma depressão braba, aquilo ficava preso em mim. Dizem por ai que amor é algo sem interesse próprio, será? Conseguimos realmente amar alguém sme esperar algo recíproco, um carinho,consideração? Amar alguém que não vai nos dar nem carinho, nem amor? Tem gente que consegue, mas difícil, queremos (do ser humano) a reciprocidade que acho a coisa mais gostosa desse mundo, não é aquele conto de fadas ´ah o amor…´, mas também tem seus degraus. É uma conquista gostosa de conseguir, sem pressa. As vezes um simples ´eu gosto de você´ pode mudar todo o dia de uma pessoa, nem que seja por um torpedo, a lembrança.
Tudo é prática, vamos nos amar e depois amar. Falar de amor é coisa séria. Ame, vamos amar, precisamos! É o sentimento mais puro, penso logo em uma criança, e o primeiro sentimento que temos contato ao nascer quando vamos ao colo da mãe. E mesmo amor fraterno tem seus interesses as vezes, quantas vezes não se fala ´Ja fiz tanto por você e você faz isso…´, é humano, não é maldade.
Eu me amo! Eu te amo! É só trocar uma letrinha depois!
(O da palestra foi mais, mais profundo, mais prática, com música, interpretação…)
Ler deveria ser proibido – Viva a ironia! 11/07/2009
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova. Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
Por Guiomar de Grammon
In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp. 71-3.
Veja um vídeo que fala deste texto: http://www.youtube.com/watch?v=57hum9zwjZc
Mudanças 11/07/2009
Incrível como nunca consigo ficar muito tempo no mesmo lugar. Sempre aparece algo novo, ou não, ou é apenas um “Não aguento mais isso!”, e acontece não só com mudança de blog como em aparência, lugares, estilo de vida. Não considero um defeito pois mudar faz bem, não cai na monotonia, dá trabalho, costume mas de resto sempre nos adaptamos ao novo que escolhemos, pois o novo que a vida escolhe demoramos a aceitar.
Creio que estou vivendo uma das melhores fases da vida até hoje e não queria ficar no mesmo lugar cheio de reclamções, remorsos, se é para começar uma nova fase então começaremos! E que venham as mais novas fases não tão boas, as tais reclamções normais e o que tiver que vir.